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El Desdichado de Gérard de Nerval




Sou o tenebroso – o viúvo -, o inconsolado,
O príncipe da Aquitânia da torre desterrado.
Minha única estrela é a morte, e meu alaúde constelado
Da Melancolia traz o sol negro.
Na noite do túmulo, por ti consolado,
Devolve-me o Pausilippe e o mar d’Itália,
A flor que meu coração desolado tanto encantava,
E a parreira na qual o pâmpano à rosa se une.
Sou Amor ou Febo?... Luignon ou Biron?
Rubro ainda do beijo da rainha minha fronte está.
Na  gruta sonhei com uma sereia nadando...
E, por duas vezes vitorioso, atravessei o Aquerão
A lira de Orfeu alternadamente modulando
Da santa os suspiros e da fada os gritos

                                                                            (Trad. de Cunha e Silva Filho)



El desdichado

Je suis le ténébreux, – le veuf, – l’inconsolé,
Le prince d’Aquitaine à la tour abolie
Ma seule étoile est morte, – et mon luth constellé
Porte le soleil noir de la Mélancolie.
Dans la nuit du tombeau, toi qui m’as consolé,
Rends-moi le Pausilippe et la mer d’Italie,
La fleur qui plaisait tant à mon coeur désolé,
Et la treille où le pampre à la rose s’allie.
Suis-je Amour ou Phébus ? … Lusignan ou Biron ?
Mon front est rouge encor du baiser de la reine ;
J’ai rêvé dans la grotte où nage la sirène…
Et j’ai deux fois vainqueur traversé l’Achéron ;
Modulant tout à tour sur la lyre d’Orphée
Les soupirs de la sainte et les cris de la fée.

en français ici




Lobão

El Desdichado II 

 

 




os lençóis flanam nos varais
presos por pequenos fragmentos de espaço-tempo
que desejam sua liberdade
despistam sua ociosidade
 



quão indelével é 
o passo da mariposa 
na trama do espaço-tempo

Neuron

neuron... psikhé
Osis, condição dada,
amante da Neuron
desordenando caminhos
aprisionando pensamentos
lisergia nervosa do aqui
percorrendo becos escuros
em longa exposição
criam-se vultos luminosos do que não existe

desguarnecer-se





neste momento em que o caos esta instalado
em que por todos os lados vejo destilar-se a confusão
o pó
a sordizes da vida célere
buscar além de palavras
além do cotidiano confuso o belo
um espaço físico
externo
 belo, limpo
límpido
no qual possa ver refletir minha imagem
não com adornos rococó
ou molduras barrocas
mas o belo, ordenado, harmônico
 ver refletir  meu eu
aquele filósofo
que defendeu a alguns dias o belo
a volta do belo
que condenou Duchamp e sua ousadia
Ah ele ri de mim agora!

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rasgar
rasurar
raspar
Romper-se!








Texto: Raquel Zanini
Imagem: Escultura de Maria Rubinke

Sejamos utópicos!
Pensar é fomentar utopias,
porque não há possibilidade de se regozijar com as evidências do futuro,
 sonhemos um sonho novo!

Ação

você vai ficar esperando que outros lhe provenham uma educação critica e engajada...
um panorama histórico detalhado de tudo aquilo que se passa no seu entorno?
que te deem uma formação critica?
que fomentem o teu pensar?

educar-se é um caminho árduo e solitário... requer tempo e vontade!
requer a solidão e o desejo de abandonar o estado de minoridade!

esqueçam os problemas educacionais,
no momento creio que nunca mudarão...
as instituições educacionais servem a interesses políticos!
Só você buscando alcançará!

Só o conhecimento liberta!

Inextricável



ela teceu sobre si emaranhados de pura tensão
e envolvida pelos fios não consegue mais levantar-se!

a composição do casulo são desilusões, medos e receios.

envolvida por esta crosta,
secretando ainda mais seus sentimentos
aumenta a espessura das paredes
e pouco a pouco ela se vê vazia,
renovada.

O velho esta por fora,
protegendo-a das intempéries
em breve um novo voo...

Devaneio



nas espirais elípticas do ontem não mais nos encontramos
apenas vemos refletido no espelho
aquilo que pensamos termos sido!

                              
                                 Raquel Zanini

[IN]explicável

o subliminar sempre cativa...
encanta e inebria aqueles que por ele são permeados
Sim!
porque não esta preso ao fato de simplesmente estar nas entrelinhas
e por isso nos leva a dependência e desejo de algo,
[supostamente sem explicação]

                                            Raquel Zanini

Condição

a grande problemática da Sociedade da Informação, é sabermos dosar nossa participação e busca de diferentes/novos conhecimentos, pois a possibilidade que se instala agora em nossa realidade: de podermos estudar em qualquer instituição do mundo, dentro de nossas casas, via internet, muitas vezes nos gera uma ansiedade tremenda frente as múltiplas possibilidades e conhecimentos que estão ai, dadas a nós...

isso deflagra um fato:  não conseguimos, nem conseguiremos ?!, transpor o tempo cronológico, que corre, e que não nos permite abarcar em nosso dia a dia tudo o que ansiamos...

Na verdade esta é a grande problemática que envolve meus dias.

excentricidades supervalorizadas




vangloriar-se de pouco... do pequeno
de atos como nunca beber água durante uma palestra
não tirar o salto durante uma festa
e coisas afins
resplandesce a vaidade humana e a pequenez de nossa suposta singularidade

Embuste


Existem pessoas que forjam seus mundos particulares,
criam a ilusão de uma vida que não existe,
camuflam suas falhas com mentiras,
buscam disfarçar as suas limitações,

mas escancaram sua debilidade.

de-vagar di-vagar?

 


Transcender o que 
se estou tão a frente que não há o que ver?
Transpor-me?
é a tarefa mais árdua...




[principalmente com o horário de verão]

O povo que habita o facebook me comove...



Sei do trabalho de inúmeros artistas [diretores, atores, dançarinos,músicos...] gente de talento que precisa de apoio, de uma ajuda, que seu link seja partilhado pra ganhar reconhecimento, que uma contribuição seja dada no Catarse ou que simplesmente se divulgue um evento mesmo que não vá... mas todos finjem que não veem... 

Mas quando se trata de futilidades é para isso que existe esta populosa região da nuvem... nos milhares terabytes de informação... E ai numa bela tarde entro no facebook e só vejo o frisson do momento "O Mendigo de Curitiba"... e todos querendo ajuda-lo, porque ele é lindo e precisa que alguma agência o lance no mercado!

Ah vá!

Todos pisam em cima dos mendigos, fogem deles, criticam-os e agora, só porque uma turista tirou a foto do mendigo galã todos tem que ajudar ele e compartilhar...

Vê-se que ninguém, [nem brasileiro, nem curitibano] conhece ou já conversou com algum mendigo... a maioria deles está na rua por opção, abandonaram o que tinham por causa de vícios... mas ninguém fala com os carrinheiros, estes sim estão batalhando pra ganhar um dinheiro, sustentar famílias, quem sabe se um dia aparecer um carrinheiro galã ele não ganhe espaço nas redes sociais e na nossa maravilhosa midia que também está pronta a tornar matéria de capa o mainstream.


As descobertas sobre o tal mendigo surpreenderam a todos: se descobriu que é um ex-modelo fotográfico que abandonou tudo por causa do crack... [me chamem de moralista ou o que quiserem, mas aqueles que se permitem viver no vício, que buscam em drogas um escape tem mais é que perecer mesmo!]

Não adianta internar... internação só é efetiva àquele que quer mudar de vida... e não quando é imposto os pais quererem não vai resolver nada!
  
As pessoas querem fazer o bem, não importa a quem, elas apenas precisam que alguém seja objeto de sua generosidade, como Kant coloca em sua obra Reflexiones (apud SCHNEEWIND, 2005, p. 534)

muitas pessoas sentem prazer em fazer boas ações, 
mas por isso não querem ter obrigações para com os outros.
Se alguém chega até elas de maneira submissa, eles farão tudo.
Não querem se sujeitar aos direitos das pessoas, 
mas encará-los como objeto da sua generosidade.

                          

Já tô até anciosa  pra encontra-lo na rua e perguntar como tá o faturamento agora... deve tá dando pra fumar um pouco mais por dia.

submergir

                                                                           
 
                                                                             













                                                                                 deslizo por  mim mesma permeada pelo caos
                                                                                                                                    inconclusa,
                                                                                               submergindo a minha própria ânsia...